Pelo menos 17 palestinianos morreram esta terça-feira em ataques israelitas no norte e sul da Faixa de Gaza, segundo informação de hospitais locais. O Exército de Israel afirmou que as operações ocorreram depois de “terroristas” terem aberto fogo no norte do território, ferindo gravemente um soldado durante uma missão junto à Linha Amarela, que delimita a área sob controlo israelita no âmbito do cessar-fogo estabelecido há três meses com o Hamas.

As autoridades militares israelitas indicaram à BBC que unidades blindadas e aviões realizaram ataques precisos na zona, em resposta ao que consideraram uma “violação flagrante” da trégua, em mais uma escalada das hostilidades que têm marcado os últimos meses na região.
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Vítimas civis, incluindo crianças, em Gaza City e Khan Younis
Entre os mortos, encontram-se seis crianças, segundo os hospitais. O Hospital Al-Shifa, em Gaza City, recebeu 13 corpos, incluindo cinco crianças, vítimas de ataques a tendas e residências nos bairros de Zeitoun e Tuffah. Já o Hospital Nasser, em Khan Younis, registou quatro mortos, incluindo uma criança, na sequência de bombardeamentos na área de Qizan Rashwan.
As operações militares continuam a afetar gravemente a população civil, já fragilizada pelo conflito prolongado, com famílias deslocadas, infraestruturas destruídas e acesso limitado a cuidados de saúde e serviços básicos. Organizações internacionais têm alertado para uma escalada humanitária, incluindo a escassez de alimentos, água potável e medicamentos.
Cessar-fogo instável e histórico de confrontos
Desde a entrada em vigor do cessar-fogo, em 10 de outubro, tanto Israel como o Hamas têm acusado-se mutuamente de violações quase diárias. O Ministério da Saúde de Gaza, sob controlo do Hamas, indica que pelo menos 529 pessoas morreram devido a ataques israelitas, enquanto o Exército de Israel refere que quatro soldados perderam a vida em ataques palestinianos.
O conflito teve início em 7 de outubro de 2023, quando o Hamas liderou um ataque ao sul de Israel que causou cerca de 1.200 mortos e 251 reféns. A resposta israelita desencadeou uma campanha militar em Gaza, que, segundo dados do Ministério da Saúde local, já provocou mais de 71.800 mortos, tornando o território uma das regiões mais afetadas pelo conflito armado recente.
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Especialistas em segurança consideram que a instabilidade atual poderá prolongar o ciclo de violência, dificultando qualquer tentativa de reconciliação e tornando cada vez mais urgente a intervenção de mediadores internacionais para prevenir uma escalada ainda maior.

