Ataque em Southport poderia ter sido evitado, conclui inquérito público

O ataque mortal ocorrido em Southport, a 29 de julho de 2024, poderia ter sido evitado caso os pais de Axel Rudakubana e várias entidades públicas tivessem atuado de forma adequada, conclui um inquérito público divulgado esta semana.

Sir Adrian apresentou suas contundentes conclusões na Prefeitura de Liverpool
Ataque em Southport poderia ter sido evitado, conclui inquérito público © Direitos Reservados

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Segundo o relatório, presidido pelo juiz Sir Adrian Fulford, os pais do jovem, Alphonse Rudakubana e Laetitia Muzayire, poderiam ter impedido o ataque se tivessem cumprido as suas responsabilidades morais. O documento sublinha que ambos criaram obstáculos significativos à intervenção de profissionais e omitiram informações relevantes sobre o comportamento do filho.

O ataque resultou na morte de três crianças — Alice da Silva Aguiar, de nove anos, Bebe King, de seis, e Elsie Dot Stancombe, de sete — durante um workshop de dança inspirado na cantora Taylor Swift. O agressor tentou ainda matar outras oito crianças, bem como a instrutora Leanne Lucas e o empresário John Hayes.

Bebe King, de seis anos, Elsie Dot Stancombe, de sete anos, e Alice Dasilva Aguiar, de nove anos
Bebe King, Elsie Dot Stancombe e Alice Dasilva Aguiar © Merseyside Police/PA Wire

Múltiplas oportunidades perdidas ao longo dos anos

O relatório, com 763 páginas, destaca uma série de falhas acumuladas ao longo de vários anos, tanto por parte da família como de instituições de saúde, educação e forças policiais. De acordo com o juiz, houve “um número impressionante de oportunidades perdidas” para intervir de forma eficaz.

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Um dos momentos críticos ocorreu em 2019, quando Rudakubana atacou um estudante na escola Range High School, em Formby, armado com uma faca e um stick de hóquei. Apesar de ter sido sujeito a uma medida judicial, o caso não foi tratado com a gravidade necessária pelas entidades competentes.

O jovem foi ainda referenciado por três vezes ao programa antiterrorista Prevent entre 2019 e 2024, mas todos os processos acabaram arquivados. O relatório aponta também que o comportamento violento foi frequentemente relativizado devido ao diagnóstico de autismo.

Além disso, ficou comprovado que Rudakubana adquiriu armas online, incluindo catanas, e materiais para produzir ricina, sendo que os pais tinham conhecimento dessas aquisições e não as reportaram às autoridades.

Governo promete agir após conclusões do inquérito

O relatório conclui que tanto os pais como as instituições falharam na gestão do risco representado pelo jovem, defendendo uma intervenção mais precoce que poderia ter evitado a tragédia.

O primeiro-ministro Keir Starmer reagiu ao documento, garantindo que o Governo irá implementar as recomendações apresentadas. “Tem de haver responsabilização. Vamos analisar o que precisa de mudar e cumprir o que prometemos”, afirmou.

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Já a responsável governamental Shabana Mahmood classificou o relatório como “devastador”, apontando para uma falha sistémica do Estado na prevenção do ataque.

O inquérito recomenda ainda que, numa segunda fase, sejam analisadas medidas para limitar ou monitorizar o acesso à internet por menores que representem risco para terceiros, tendo em conta que o agressor consumia conteúdos extremistas e violentos online.

Axel Rudakubana encontra-se atualmente a cumprir uma pena mínima de 52 anos de prisão pelos crimes cometidos.

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