Mais de 100 pessoas morreram na sequência de um ataque aéreo levado a cabo pelo Paquistão contra um centro de reabilitação de toxicodependência em Cabul, capital do Afeganistão, segundo fontes de um laboratório forense citadas pela BBC.

De acordo com responsáveis do departamento de medicina legal da cidade, alguns corpos ficaram desfigurados ao ponto de serem irreconhecíveis. As autoridades talibãs indicam, contudo, que o número de vítimas poderá ser significativamente superior.
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O ataque terá atingido o Hospital de Tratamento de Dependências Omid, onde cerca de 2.000 pessoas se encontravam internadas. Testemunhas relataram fortes explosões por volta das 20h50 locais, seguidas pelo som de aeronaves e sistemas de defesa aérea.
Familiares das pessoas internadas concentraram-se no exterior da unidade hospitalar, procurando desesperadamente informações sobre os seus entes queridos, enquanto equipas de resgate continuavam as buscas por sobreviventes.
Paquistão nega alvo civil e ONU pede investigação
O governo paquistanês negou ter atingido deliberadamente uma infraestrutura civil, afirmando que os bombardeamentos foram precisos e dirigidos a instalações militares e estruturas de apoio a grupos terroristas. Islamabad rejeitou ainda as acusações de Cabul, classificando-as como uma “deturpação dos factos”.
Por seu lado, o porta-voz do Ministério da Saúde afegão garantiu que não existiam infraestruturas militares nas proximidades do centro de reabilitação.
A Missão de Assistência das Nações Unidas no Afeganistão condenou o ataque e apelou a uma investigação célere, reiterando a necessidade de cessar-fogo imediato e de cumprimento do direito internacional, nomeadamente no que diz respeito à proteção de civis.

Escalada de tensões agrava conflito transfronteiriço
O incidente surge num contexto de renovadas tensões entre os dois países. O Paquistão acusa o Afeganistão de acolher grupos militantes responsáveis por ataques no seu território, alegações rejeitadas por Cabul.
Apesar de um cessar-fogo frágil acordado em outubro, os confrontos têm persistido nos últimos meses. Desde 26 de fevereiro, pelo menos 75 pessoas morreram e 193 ficaram feridas em resultado dos combates transfronteiriços, segundo dados da ONU.
Entretanto, a China tem procurado mediar o conflito. O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, manteve contactos telefónicos com representantes de ambos os países, apelando a um cessar-fogo “o mais rapidamente possível” e ao diálogo direto entre as partes.
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O local atingido, anteriormente uma base militar norte-americana, havia sido convertido em centro de reabilitação após o regresso dos talibãs ao poder, em agosto de 2021. Hoje, apresenta sinais de destruição generalizada, com escombros, janelas destruídas e vestígios de incêndio visíveis.

