Anexo da mãe transformado em fábrica de explosivos

Um homem de 33 anos, que se autointitulava um “nerd da ciência”, foi condenado a 45 meses de prisão por ter criado um laboratório clandestino de explosivos no anexo da casa onde vivia com a mãe, em Caddington, perto de Luton, no Reino Unido. A sentença foi conhecida esta terça-feira no tribunal criminal de Old Bailey, em Londres, encerrando um processo que levantou sérias preocupações de segurança pública.

 laboratório clandestino
Anexo da mãe transformado em fábrica de explosivos © PA

Harry Whittaker foi detido em Abril de 2024, depois de um episódio que acabou por expor a dimensão das actividades perigosas que desenvolvia em casa, sem qualquer autorização ou controlo.

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Alerta surgiu após chamada de emergência médica

O caso veio a público quando Whittaker ligou para o número de emergência 999 a pedir uma ambulância, após sofrer um choque anafiláctico. Aos paramédicos que o assistiram, explicou que o incidente ocorreu enquanto realizava experiências químicas no seu laboratório improvisado.

Ao mostrar-lhes o anexo situado no jardim da residência, os profissionais de saúde ficaram alarmados com o material ali armazenado e decidiram comunicar a situação às autoridades policiais, desencadeando uma investigação imediata.

Polícia encontra explosivos, venenos e materiais altamente instáveis

Durante as buscas realizadas ao quarto e ao anexo utilizado por Whittaker, a polícia encontrou uma vasta coleção de substâncias perigosas. Entre os materiais apreendidos estavam pólvora negra, munições — incluindo uma bala activa — produtos químicos diversos, venenos letais e dispositivos suspeitos de serem explosivos improvisados.

Foram ainda identificados materiais radioactivos e fósforo branco, uma substância extremamente instável que pode inflamar-se espontaneamente em contacto com o ar. Devido ao risco elevado, este material teve de ser destruído por equipas militares especializadas.

Segundo a acusação, vários recipientes estavam rotulados com símbolos de perigo e mensagens perturbadoras, demonstrando um total desrespeito pelas normas básicas de segurança.

Conteúdos racistas e ameaças agravam o caso

A investigação revelou igualmente um conjunto de mensagens de teor racista encontradas no telemóvel do arguido, trocadas através da aplicação WhatsApp. Numa dessas mensagens, Whittaker expressava ódio dirigido a uma mesquita em Luton, sugerindo actos de violência extrema.

As autoridades encontraram também um documento manuscrito que continha referências explícitas à ideologia nazi, incitação à discriminação religiosa e racial e menções à produção de explosivos. Num dos recipientes apreendidos, constava ainda um rótulo com linguagem antissemita, o que contribuiu para agravar a avaliação do risco associado ao comportamento do arguido.

Defesa alegou interesse científico e ausência de intenções violentas

Durante os interrogatórios e em tribunal, Whittaker defendeu-se alegando que as substâncias eram utilizadas apenas para experiências científicas e que tinha como objectivo reunir todos os elementos da tabela periódica. Disse ainda que “gostava de pirotecnia” e que as experiências eram realizadas por curiosidade académica.

Negou qualquer intenção de causar danos e afirmou que tomava precauções para evitar acidentes. Chegou mesmo a classificar os receios dos paramédicos como exagerados. Contudo, o tribunal considerou que a quantidade e perigosidade dos materiais tornavam irrelevante essa justificação.

Juiz sublinha risco grave para a comunidade

Ao proferir a sentença, o juiz Simon Mayo KC afirmou que, apesar de não existir prova inequívoca de um plano terrorista, a conduta de Whittaker representava um risco sério para terceiros.

“O seu comportamento criou um perigo real para outras pessoas. Ainda que não possa concluir que os explosivos se destinavam a um ataque, é claro que contemplou essa possibilidade”, afirmou o magistrado, justificando a pena de prisão efectiva.

Autoridades destacam mensagem dissuasora da condenação

Após a condenação, o Crown Prosecution Service sublinhou que as acções de Whittaker colocaram em risco não só a sua própria vida, mas também a da sua família e vizinhos. O organismo destacou ainda que a compra e manipulação irresponsável de substâncias altamente perigosas não será tolerada.

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As autoridades esperam que o caso sirva de alerta para situações semelhantes, reforçando a importância da vigilância e da denúncia de comportamentos suspeitos que possam comprometer a segurança das comunidades.

Harry Whittaker, que foi diagnosticado com perturbação do espectro do autismo e admitiu consumo de heroína, permanecerá em prisão durante o cumprimento da pena, encerrando um processo que expôs uma combinação preocupante de negligência, radicalização e risco extremo para a segurança pública.

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