Andrew deverá £12 milhões à Família Real

O príncipe Andrew deverá cerca de 12 milhões de libras à Família Real britânica, valor que terá sido utilizado para financiar o acordo extrajudicial celebrado, em 2022, com Virginia Giuffre, no âmbito do escândalo associado a Jeffrey Epstein.

O príncipe Andrew
Andrew deverá £12 milhões à Família Real © Anwar Hussein/Getty Images

De acordo com informações divulgadas pela imprensa britânica, a quantia terá sido assegurada pela falecida rainha Isabel II, pelo príncipe Filipe e pelo então príncipe Carlos, atualmente rei Carlos III. Estima-se que aproximadamente 7 milhões de libras tenham sido disponibilizados pela rainha, 3 milhões provenientes do património do duque de Edimburgo após a sua morte e cerca de 1,5 milhões atribuídos por Carlos.

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O acordo foi alcançado em março de 2022, depois de Giuffre ter apresentado uma ação judicial nos Estados Unidos, em 2021, acusando o antigo duque de York de agressão sexual quando tinha 17 anos. A denunciante alegou ter sido abusada em três ocasiões. Andrew sempre rejeitou categoricamente as acusações, mas optou por resolver o litígio fora dos tribunais, mediante o pagamento de uma quantia cujo valor exato nunca foi tornado público.

Fontes citadas indicam que a decisão de financiar o acordo terá tido como objetivo evitar um julgamento mediático que poderia intensificar o impacto negativo do escândalo sobre a monarquia britânica, numa altura particularmente sensível, antecedendo as celebrações do Jubileu de Platina da rainha Isabel II.

Dívida por saldar e falhanço na venda do chalé em Verbier

Apesar do apoio financeiro recebido da Família Real, Andrew ainda não terá reembolsado qualquer montante do empréstimo. Segundo uma fonte próxima do processo, “não foi devolvido um único cêntimo” dos milhões disponibilizados para assegurar o acordo com Giuffre.

O príncipe terá procurado liquidar a dívida através da venda do seu chalé de luxo na estância suíça de Verbier. No entanto, o imóvel encontrava-se fortemente onerado por uma hipoteca significativa, o que reduziu substancialmente a margem de lucro da operação. Como resultado, a transação não terá permitido gerar fundos suficientes para amortizar o valor em dívida à Família Real.

A falta de reembolso levanta novas questões sobre a situação financeira do antigo duque de York, que perdeu os seus títulos militares honoríficos e funções oficiais na sequência do escândalo, ficando afastado da vida pública institucional.

Revelações contínuas intensificam o escrutínio público

O caso mantém-se sob forte escrutínio, sobretudo com a divulgação faseada de novos documentos relacionados com Jeffrey Epstein. Entre os elementos tornados públicos encontra-se uma fotografia amplamente difundida que aparenta mostrar Andrew com o braço em redor de Virginia Giuffre, na residência londrina de Ghislaine Maxwell, colaboradora próxima de Epstein. O príncipe tem sustentado que não se recorda da imagem ter sido captada nas circunstâncias descritas.

Foram ainda divulgadas imagens pelas autoridades norte-americanas que alegadamente mostram Andrew na mansão de Epstein, em Nova Iorque. Estas revelações reacenderam o debate público sobre a natureza da relação entre o príncipe e o financeiro condenado por crimes sexuais.

Paralelamente, a polícia de Thames Valley confirmou estar a analisar alegações segundo as quais Andrew poderá ter partilhado relatórios confidenciais decorrentes das suas funções como enviado especial do Reino Unido para o comércio internacional. Correios eletrónicos divulgados recentemente indicam que terão sido transmitidas informações relativas a visitas oficiais a Hong Kong, Vietname e Singapura.

Reações da Casa Real e posicionamento oficial

Perante o ressurgimento das controvérsias, o rei Carlos III manifestou “profunda preocupação” relativamente às alegações que envolvem o seu irmão. O Palácio de Buckingham declarou que estará disponível para colaborar com as autoridades policiais, caso tal venha a ser solicitado.

Também o príncipe e a princesa de Gales emitiram uma posição pública sobre o escândalo, referindo, através de um porta-voz do Palácio de Kensington, que acompanham com apreensão as revelações contínuas e que os seus pensamentos permanecem centrados nas vítimas.

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Virginia Giuffre foi encontrada morta na sua residência, na Austrália, a 25 de abril de 2025. A sua morte voltou a colocar o caso sob os holofotes internacionais, num contexto em que o nome de Andrew continua associado a um dos maiores escândalos da história recente da monarquia britânica.

O príncipe Andrew mantém a sua posição de que nunca cometeu qualquer ato ilícito, reiterando a negação de todas as acusações que lhe foram dirigidas.

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