Alterações climáticas intensificam alergias e prolongam época de sintomas em Portugal

As alterações climáticas e o consequente aumento das temperaturas estão a contribuir para uma mudança significativa no padrão das alergias, tornando-as mais frequentes, intensas e prolongadas. A tendência é apontada por especialistas, que alertam para o impacto direto do clima na saúde respiratória da população.

As alterações climáticas e o consequente aumento das temperaturas
Alterações climáticas intensificam alergias e prolongam época de sintomas em Portugal © Freepik

De acordo com os peritos ouvidos, o prolongamento de períodos quentes e a alteração dos ciclos sazonais estão a influenciar a produção e dispersão de pólen e outros alergénios. Este fenómeno faz com que os sintomas alérgicos surjam mais cedo no ano e se prolonguem por mais tempo, deixando de estar limitados a períodos curtos da primavera.

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Os especialistas sublinham ainda que a intensidade dos sintomas também tem aumentado, com mais casos de rinite alérgica, conjuntivite e agravamento de condições respiratórias pré-existentes, como a asma.

Consumo de anti-histamínicos regista aumento sustentado em Portugal

Este cenário tem vindo a refletir-se de forma clara no consumo de medicamentos utilizados no controlo das alergias. Em Portugal, verifica-se uma subida gradual e consistente na dispensa de anti-histamínicos nas farmácias, acompanhando a maior incidência de sintomas.

Em março, foram dispensadas cerca de 706 mil embalagens destes medicamentos, o que representa um aumento de 11% face ao mesmo mês do ano anterior. Este crescimento é interpretado pelos profissionais do setor como um indicador direto da maior prevalência e duração dos episódios alérgicos.

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Farmácias e especialistas destacam que esta tendência não é pontual, mas sim parte de uma evolução contínua nos últimos anos, associada às alterações ambientais e climáticas. O uso mais frequente de anti-histamínicos reflete não apenas o aumento de casos, mas também a necessidade de tratamentos mais prolongados ao longo do ano.

Especialistas alertam para impacto crescente na saúde pública

Os especialistas ouvidos alertam que o agravamento das alergias poderá ter consequências relevantes na saúde pública, tanto ao nível da qualidade de vida dos doentes como na sobrecarga dos serviços de saúde.

Entre os principais impactos identificados estão o aumento de consultas médicas, maior absentismo laboral e escolar e uma dependência mais prolongada de medicação. Em alguns casos, os sintomas persistentes levam a um recurso mais frequente a cuidados especializados, nomeadamente em imunologia e pneumologia.

Além disso, os profissionais de saúde alertam para o subdiagnóstico de algumas situações, uma vez que muitos doentes podem normalizar os sintomas e não procurar acompanhamento médico adequado, recorrendo apenas à automedicação.

Época das alergias deixa de ser sazonal e torna-se mais prolongada

Tradicionalmente associadas à primavera, as alergias sazonais estão a perder essa característica estritamente temporal. Os especialistas indicam que, em muitos casos, já se verifica uma “quase continuidade” dos sintomas ao longo de vários meses do ano.

Esta mudança está ligada não só ao aumento das temperaturas, mas também a fatores como a poluição atmosférica e a alteração dos padrões de vegetação, que contribuem para uma maior exposição a alergénios.

Como resultado, a chamada “época das alergias” tende a tornar-se mais longa e menos previsível, exigindo uma adaptação dos sistemas de saúde e das estratégias de prevenção.

Tendência deverá manter-se e exige maior sensibilização

Os profissionais de saúde defendem que esta tendência deverá manter-se ou mesmo agravar-se nos próximos anos, caso persistam as atuais condições climáticas. A evolução do fenómeno poderá tornar as alergias um problema de saúde ainda mais relevante a nível global e nacional.

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Nesse sentido, sublinha-se a importância da sensibilização da população para a identificação precoce dos sintomas e para a procura de acompanhamento médico. O controlo adequado das alergias, referem os especialistas, é essencial para reduzir o impacto na qualidade de vida e evitar complicações respiratórias mais graves.

A adaptação a esta nova realidade climática surge, assim, como um dos principais desafios da saúde pública nas próximas décadas.

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