Três adolescentes estão a ser julgados no Tribunal de Crown de Southampton, acusados de violação de duas raparigas em incidentes ocorridos em Fordingbridge, Hampshire. Dois dos acusados, atualmente com 15 anos, enfrentam múltiplas acusações de violação no primeiro incidente, que aconteceu em novembro de 2024, e no segundo, em janeiro de 2025.

O terceiro arguido, agora com 14 anos, mas com 13 à época, está acusado de auxiliar e encobrir a violação no segundo caso. Um dos rapazes também responde por posse e divulgação de fotografias indecentes da vítima do segundo incidente.
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O julgamento tem chamado atenção local, destacando a gravidade dos crimes alegados e a complexidade das provas, que incluem mensagens de redes sociais, vídeos e testemunhos de várias vítimas e observadores.
Detalhes dos alegados crimes
Segundo a procuradora Jodie Mittel KC, a primeira vítima, então com 15 anos, entrou em contacto com o primeiro arguido através do Snapchat. Após uma conversa num parque e a receção de uma bebida, foi levada a um túnel subterrâneo. Inicialmente, a vítima relatou sentir-se “nervosa mas confortável” devido a sentimentos de afecto, mas a situação mudou quando o segundo arguido e outro rapaz chegaram, pressionando-a e filmando o ato enquanto riam.
A vítima descreveu sentir-se “encurralada e presa” durante cerca de 90 minutos de alegada violação, num episódio marcado por medo e humilhação. No segundo incidente, a vítima, então com 14 anos, afirmou ter sido ameaçada com uma faca pelo primeiro arguido, obrigada a deixar o telemóvel num estabelecimento e levada até a um campo próximo, onde foi filmada enquanto era violada. As imagens foram posteriormente partilhadas, provocando assédio e insultos públicos.
Provas digitais e testemunhos
O processo judicial inclui uma série de provas digitais, como gravações de telemóveis e mensagens de redes sociais. Embora as imagens de CCTV não mostrem a faca alegadamente usada, testemunhos corroboram a coerção sofrida pelas vítimas.
A acusação também apresentou provas de que um dos rapazes tirou fotografias indecentes da segunda vítima, aumentando a gravidade das acusações e destacando o uso de meios digitais para perpetuar e divulgar o crime.
Impacto sobre as vítimas e a comunidade
O tribunal ouviu relatos detalhados sobre o trauma emocional das vítimas, que sentiram medo, ansiedade e humilhação. Especialistas em trauma infantil explicaram que a exposição a gravações de abuso sexual pode ter efeitos duradouros, incluindo dificuldades psicológicas e sociais.
A comunidade de Fordingbridge reagiu com choque. Organizações locais de apoio a jovens têm reforçado programas de acompanhamento psicológico e educação sobre segurança online, redes sociais e prevenção de abuso sexual, especialmente entre adolescentes.
Questões legais envolvendo menores
O caso levanta questões complexas sobre responsabilidade legal de menores em crimes sexuais, consentimento e proteção das vítimas. Os tribunais enfrentam o desafio de equilibrar a necessidade de responsabilização com medidas de proteção e reabilitação para os arguidos, tendo em conta a sua idade.
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Defesa e andamento do julgamento
Os três arguidos negam todas as acusações. O julgamento continua no Tribunal de Crown de Southampton, com a apresentação de provas adicionais e mais testemunhos, incluindo relatórios psicológicos.
O caso evidencia a complexidade dos processos envolvendo menores, violência sexual e crimes digitais, sublinhando a importância de políticas de prevenção e educação para reduzir riscos.

