Um homem de 58 anos, acusado de matar um amigo e ocultar o cadáver no quintal da sua residência, em Lourosa, negou esta quinta-feira, em tribunal, qualquer envolvimento na morte. O caso remonta a abril de 2025 e está a ser julgado no Tribunal de Santa Maria da Feira.

O arguido, Alcides Silva, responde pelos crimes de homicídio e profanação de cadáver, mas garante não ter provocado a morte de Manuel Costa, com quem afirma manter apenas uma relação de amizade.
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Arguido diz ter dormido dois dias ao lado do cadáver
Durante a primeira sessão do julgamento, Alcides Silva relatou que encontrou o corpo do amigo já sem vida no interior da sua habitação. Segundo o seu depoimento, a vítima encontrava-se deitada na cama, com sinais de rigidez.
O arguido afirmou ainda ter reparado numa abraçadeira de plástico no pescoço de Manuel Costa, sem conseguir explicar como ali foi colocada. Disse ter cortado o objeto com uma tesoura, após ponderar utilizar uma faca.
Sem conseguir obter ajuda de vizinhos e alegando não ter telemóvel ativo para contactar os serviços de emergência, afirmou que permaneceu na habitação junto ao corpo durante cerca de 36 horas. Durante esse período, referiu ter ingerido álcool e estar sob efeito de medicação.
Corpo foi enterrado no quintal após vários esforços
O arguido explicou que decidiu remover o corpo apenas dois dias depois, descrevendo o processo como fisicamente exigente. Disse ter arrastado o cadáver durante várias horas até ao exterior da casa, onde o colocou num carro de mão.
De acordo com o seu relato, utilizou uma cova já existente no quintal para enterrar o corpo, alegadamente destinada à construção de um lago. Antes disso, afirmou ter coberto o rosto da vítima com um saco de serapilheira.
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Após o enterramento, declarou ter colocado sementes e vegetação sobre o local, justificando os seus atos de forma vaga. Questionado sobre a decisão de ocultar o corpo, respondeu: “São coisas de copos”.
Ministério Público sustenta versão de homicídio após discussão
A acusação do Ministério Público apresenta uma versão distinta dos acontecimentos. Segundo a investigação, o crime terá ocorrido após uma discussão violenta entre os dois homens, que manteriam uma relação amorosa há vários anos.
De acordo com a acusação, Alcides Silva terá asfixiado a vítima e, posteriormente, enterrado o corpo a cerca de 20 centímetros de profundidade no quintal, tentando dissimular o local com vegetação.
O Ministério Público refere ainda que o arguido terá tentado encobrir o crime, deixando um bilhete num café frequentado por Manuel Costa, simulando uma viagem ao Porto, o que se revelou falso.
Uso de cartão bancário reforça suspeitas
A investigação apurou também que o arguido utilizou o cartão bancário da vítima após a sua morte, efetuando compras de bens alimentares, tabaco e bebidas alcoólicas.
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Em tribunal, o arguido alegou que o cartão lhe tinha sido entregue pela própria vítima antes da morte, com autorização para realizar compras.
O julgamento prossegue, devendo nas próximas sessões ser ouvidas testemunhas e analisadas provas que poderão esclarecer a dinâmica dos acontecimentos e a eventual responsabilidade criminal do arguido.


Ele tem que pagar pelos seus crimes, matou o próprio amigo.