Activistas pró-Palestina terminam greve de fome no Reino Unido

Três activistas pró-Palestina detidos no Reino Unido terminaram uma greve de fome após 73 dias sem ingestão de alimentos. Kamran Ahmed, Heba Muraisi e Lewie Chiaramello, ligados ao movimento Palestine Action, começaram o processo de realimentação na quarta-feira, segundo informou o grupo Prisoners for Palestine.

Três activistas pró-Palestina
Activistas pró-Palestina terminam greve de fome no Reino Unido © Martin Pope/ZUMA Press Wire/Shutterstock

Os três encontravam-se em prisão preventiva, a aguardar julgamento por alegadas ligações a acções directas, incluindo invasões de instalações e danos materiais associados à empresa de defesa israelita Elbit Systems. A greve de fome teve início a 2 de Novembro, como forma de protesto contra as condições de detenção e a criminalização do movimento.

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De acordo com o Prisoners for Palestine, a decisão de pôr fim à greve ocorreu após o Governo britânico ter alegadamente cedido a uma das principais exigências dos manifestantes, recusando a atribuição de um contrato no valor de cerca de dois mil milhões de libras à Elbit Systems. As autoridades britânicas não confirmaram oficialmente essa informação.

Estado de saúde crítico e contexto do protesto

Kamran Ahmed, de 28 anos, residente no leste de Londres, esteve em risco iminente de morte na semana anterior ao fim da greve, tendo sido transferido para uma unidade hospitalar. O grupo era composto por alguns dos últimos activistas ainda em greve de fome, depois de outros quatro detidos — Teuta Hoxha, Jon Cink, Qesser Zuhrah e Amu Gib — terem iniciado a realimentação nas últimas semanas.

Todos fazem parte de um grupo de oito pessoas detidas preventivamente, acusadas de crimes relacionados com acções contra instalações da Elbit Systems em Agosto de 2024 ou com uma intervenção numa base da RAF em Brize Norton, no condado de Oxfordshire, em Junho do ano passado.

Segundo os activistas, Umer Khalid permanece como o único grevista da fome activo. Desde o início do protesto, vários detidos tiveram de ser hospitalizados devido à deterioração do estado de saúde.

Proibição da Palestine Action e reacções dos activistas

A Palestine Action foi recentemente proibida ao abrigo da legislação antiterrorismo no Reino Unido, tornando crime a simples pertença ao grupo. A decisão gerou críticas de várias organizações e foi contestada judicialmente, estando a aguardar-se uma decisão do Tribunal Superior.

Kamran Ahmed
Proibição da Palestine Action e reacções dos activistas © Martin Pope/ZUMA Press Wire/Shutterstock

Na sexta-feira anterior ao fim da greve, responsáveis nacionais pelos serviços de saúde prisional reuniram-se com representantes dos grevistas para discutir as condições nas prisões e recomendações médicas.

Lewie Chiaramello descreveu o momento como uma vitória simbólica, sublinhando que o protesto foi motivado pela causa palestiniana e por um ideal de libertação colectiva. Já o Prisoners for Palestine afirmou que, apesar do fim da greve de fome, a mobilização continua, acusando o Estado britânico de reforçar a resistência através da repressão.

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Heba Muraisi, nadadora-salvadora e florista de origem iemenita, relatou, através de um intermediário, que nos últimos dias antes do fim da greve deixou de sentir fome, passando a sentir apenas dor física. Em declarações à Al Jazeera, afirmou que, apesar do agravamento do seu estado físico, se sentia mentalmente mais forte e serena.

O Ministério da Justiça britânico foi contactado para comentar o caso, mas não respondeu até ao momento.

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