Mais de 600 denúncias de violência contra crianças em Portugal em 2025

O Instituto de Apoio à Criança (IAC) registou 618 denúncias de violência contra menores em 2025, um aumento significativo face às 367 ocorrências contabilizadas em 2024, o que representa mais 251 casos num único ano. Os dados revelam uma tendência de agravamento das situações de risco envolvendo crianças e jovens em Portugal, com especial incidência no contexto familiar.

O Instituto de Apoio à Criança
Mais de 600 denúncias de violência contra crianças em Portugal em 2025 © Carlos Carneiro

As informações foram divulgadas pelo instituto no âmbito do Mês da Prevenção dos Maus-Tratos na Infância, assinalado em abril, e remetidas à agência Lusa. Entre os casos reportados incluem-se diferentes formas de violência, como maus-tratos físicos e psicológicos, abuso sexual, negligência, abandono, violência institucional, “bullying” e violência no namoro.

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O IAC alerta que a diversidade das situações sinalizadas demonstra a complexidade do fenómeno, que não se limita a um único tipo de abuso, mas abrange múltiplas formas de agressão e vulnerabilidade.

Família continua a ser o principal contexto de risco

De acordo com o Instituto de Apoio à Criança, a maioria dos casos denunciados continua a ocorrer no seio familiar, o que reforça a dificuldade de deteção e intervenção precoce. Os maus-tratos psicológicos e físicos são apontados como as situações mais frequentes, muitas vezes associadas a práticas educativas inadequadas e a contextos de tensão familiar prolongada.

O presidente do IAC, Manuel Coutinho, sublinha que estas situações continuam a ter grande expressão e não podem ser normalizadas. Em declarações à Lusa, o responsável alertou para a recorrência de episódios em que a disciplina é confundida com violência, originando práticas como agressões físicas ou castigos desproporcionados.

Segundo o dirigente, muitas das vítimas são crianças até aos 14 anos, sendo que as denúncias chegam frequentemente através de adultos que têm contacto direto com os menores, como familiares, vizinhos, professores ou outros cuidadores.

Linha SOS Criança regista aumento de pedidos e sinais de fragilidade emocional

Para além das denúncias formais de violência, a Linha SOS Criança e Jovem do IAC recebeu 2750 pedidos de apoio em 2025, um aumento face aos 2151 registados em 2024. Este crescimento reflete não apenas situações de violência, mas também um aumento das dificuldades emocionais entre crianças e jovens.

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Mais de metade dos pedidos dizem respeito a raparigas (55%), com destaque para a adolescência, considerada uma fase particularmente vulnerável. O IAC identifica maior incidência de sinalizações entre os 15 e os 17 anos, sublinhando a necessidade de respostas mais especializadas para esta faixa etária.

Entre os contactos recebidos, 1179 estão relacionados com saúde mental, incluindo casos de ansiedade, fobias e ideação suicida. Este número representa igualmente um aumento face ao ano anterior, quando foram registadas 951 situações, evidenciando uma crescente pressão emocional sobre os jovens.

O instituto alerta que estes dados devem ser interpretados como um sinal de alarme para a necessidade de reforço dos serviços de apoio psicológico e de prevenção em meio escolar e comunitário.

Apelo à prevenção contínua e reforço da sensibilização

O presidente do IAC defende que a prevenção dos maus-tratos deve ser encarada como uma prioridade permanente e não limitada a campanhas pontuais. Para Manuel Coutinho, a educação e a sensibilização da sociedade são fundamentais para garantir a proteção efetiva dos direitos das crianças.

O responsável reforça que todos os cidadãos têm um papel ativo na identificação e denúncia de situações de risco, sublinhando a importância de uma maior consciência coletiva sobre o problema. “É importante trabalharmos muito a nível da educação e da sensibilização das pessoas para que cada um perceba claramente que é responsável pela promoção e defesa dos direitos das crianças”, afirmou.

O IAC destaca ainda que o combate à violência infantil exige uma abordagem integrada, envolvendo escolas, famílias, instituições sociais e entidades públicas, de forma a criar redes de proteção mais eficazes.

Iniciativas públicas reforçam combate aos maus-tratos na infância

No âmbito do encerramento do Mês da Prevenção dos Maus-Tratos na Infância, está prevista a realização de uma iniciativa simbólica em Lisboa, onde cerca de 1500 crianças irão formar um laço azul humano no Parque da Quinta das Conchas e dos Lilases.

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A atividade envolve alunos de vários agrupamentos escolares e da Casa Pia de Lisboa, numa ação promovida pela Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens, em parceria com a Câmara Municipal de Lisboa e a Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares.

O objetivo da iniciativa é sensibilizar a população para a importância da prevenção da violência infantil e reforçar a mensagem de que a proteção das crianças deve ser uma responsabilidade contínua, ao longo de todo o ano, e não apenas durante campanhas específicas de sensibilização.

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