Mais de 11 mil pessoas enfrentam necessidades alimentares após cheias em Moçambique

Mais de 11.000 pessoas enfrentam necessidades urgentes de alimentação e abrigo na província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, na sequência das fortes chuvas e inundações registadas em março.

11.000 pessoas enfrentam necessidades urgentes
Mais de 11 mil pessoas enfrentam necessidades alimentares após cheias em Moçambique © AFP

De acordo com o Mecanismo de Resposta Rápida, um total de 11.434 pessoas foi diretamente afetado nos distritos de Metuge e Ancuabe. As cheias provocaram danos significativos em infraestruturas essenciais, incluindo habitações, sistemas de saneamento e pontos de abastecimento de água.

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Entre os dias 13 e 17 de março, as chuvas intensas atingiram sobretudo o distrito de Metuge, afetando cerca de 5.725 famílias. Muitas procuraram abrigo em escolas, casas de familiares ou junto de vizinhos, enquanto outras regressaram a habitações danificadas, apesar das condições precárias, aumentando a exposição a riscos de saúde.

O relatório alerta ainda para a possível contaminação das fontes de água potável, devido à mistura com águas das cheias, o que pode potenciar a propagação de doenças nas comunidades afetadas.

Alimentação e abrigo lideram lista de necessidades urgentes

As avaliações realizadas no terreno pelo Mecanismo de Resposta Rápida indicam que o abrigo é a necessidade mais urgente, apontada por 92% dos inquiridos em Metuge. A destruição parcial ou total de habitações e a escassez de alternativas seguras agravam a vulnerabilidade das famílias.

A insegurança alimentar surge igualmente como uma preocupação central, sendo referida por 86% dos afetados. A destruição de machambas (campos agrícolas), aliada à perda imediata de meios de subsistência e à redução do poder de compra, contribui para um cenário de crescente fragilidade.

No distrito de Ancuabe, o impacto das chuvas foi igualmente severo, com cerca de 5.709 famílias afetadas em sete comunidades. As inundações e a erosão do solo causaram danos extensos em habitações, perda de áreas agrícolas e colapso de infraestruturas sanitárias, como latrinas.

Neste distrito, 94% dos inquiridos identificaram a alimentação como a necessidade mais urgente, enquanto 91% destacaram o acesso a abrigo adequado como prioridade. Muitas famílias permanecem em abrigos improvisados ou dependem de apoio de familiares.

Saúde, saneamento e perda de meios de subsistência agravam situação

Para além da falta de alimentos e abrigo, as condições sanitárias deterioraram-se significativamente nas zonas afetadas. A destruição de latrinas e a contaminação da água aumentam o risco de surtos de doenças, sobretudo entre crianças e idosos.

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As perdas agrícolas representam outro fator crítico. A destruição de culturas e terrenos agrícolas compromete não só o acesso imediato a alimentos, mas também a recuperação económica das comunidades a médio prazo.

O relatório destaca ainda que a combinação entre deslocação de famílias, habitação precária e escassez de recursos básicos contribui para um agravamento generalizado das condições de vida.

Alterações climáticas intensificam desastres naturais no país

Moçambique é considerado um dos países mais vulneráveis às alterações climáticas, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais durante a época chuvosa, que decorre entre outubro e abril.

Segundo o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres, a atual época das chuvas já provocou 311 mortos e afetou cerca de 1,07 milhões de pessoas em todo o país.

Os dados oficiais apontam ainda para mais de 24 mil casas parcialmente destruídas, quase 12 mil totalmente destruídas e mais de 200 mil habitações inundadas. Além disso, 304 unidades de saúde foram afetadas em menos de seis meses, comprometendo a resposta aos cuidados médicos.

Impacto económico e agrícola atinge milhares de famílias

As consequências das cheias estendem-se também ao setor agrícola, com perdas significativas registadas em todo o país. Segundo o mesmo organismo, mais de 320 mil hectares de áreas agrícolas foram destruídos, afetando cerca de 373 mil agricultores.

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A morte de mais de 531 mil animais, entre bovinos, caprinos e aves, agrava ainda mais a situação das famílias que dependem da agricultura e pecuária para subsistência.

Perante este cenário, as autoridades e organizações humanitárias reforçam a necessidade de assistência urgente e coordenada, bem como de estratégias de adaptação às alterações climáticas, de forma a reduzir o impacto de futuros desastres naturais nas populações mais vulneráveis.

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