A crise do custo de vida continua a provocar mudanças visíveis no comportamento dos consumidores e nas estratégias de segurança dos supermercados britânicos.

Desta vez, foi a Tesco que chamou a atenção ao colocar barras de chocolate Cadbury Dairy Milk Caramel, de 120 gramas, dentro de caixas de segurança transparentes numa loja em Seven Kings, Ilford, no Leste de Londres.
As barras, vendidas por £2,10 — ou £1,75 para quem utiliza o cartão Clubcard — só podem ser libertadas no momento do pagamento, através da intervenção de um funcionário.
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A imagem das pequenas caixas de plástico rígido, normalmente associadas a produtos de maior valor, tornou-se viral nas redes sociais e gerou reacções de surpresa entre os clientes.
“Os tempos estão difíceis, as pessoas roubam qualquer coisa”, comentou o cliente Kash Ali, reflectindo o sentimento generalizado de insegurança económica. Outra cliente, Angela, não deixou passar o paradoxo: “A caixa custa mais do que a barra de chocolate”.
Decisão interna varia por loja e segue práticas já comuns noutros países europeus
Uma fonte interna da Tesco explicou que a colocação de produtos em protecções anti-furto é decidida localmente, consoante os níveis de perda e as necessidades específicas de cada loja. A cadeia rejeita que esta iniciativa represente uma nova política nacional.
Embora pareça inusitada, a prática não é inédita: em vários supermercados do continente europeu, incluindo lojas pertencentes à francesa Carrefour, é comum encontrar produtos de confeitaria protegidos com dispositivos anti-furto.
A tendência tem vindo a consolidar-se à medida que os furtos se tornam mais frequentes, especialmente em artigos de consumo rápido que podem ser facilmente escondidos.
Nos últimos meses, outros supermercados britânicos recorreram a medidas semelhantes. Numa loja Sainsbury’s em Barnet, caixas de chocolates Lindt e embalagens de cápsulas de detergente Persil, avaliadas em £3,85, foram colocadas sob protecção.
Em Blackpool, até embalagens de fiambre foram avistadas com etiquetas de segurança. O fenómeno estende-se a categorias cada vez mais amplas de produtos, revelando uma crescente preocupação operacional.
Furtos atingem números históricos e pressionam governo e retalhistas
O aumento dos furtos não é um problema isolado da Tesco: o Reino Unido registou mais de 530 mil incidentes de shoplifting no ano contabilizado até Março de 2025, o número mais alto de que há registo.
Este crescimento acelerado está a criar pressão social e política, levando o governo a rever o enquadramento legal do crime.
O novo Crime and Policing Bill introduz mudanças significativas. Furtos inferiores a £200 deixam de ser considerados apenas como delitos “sumários”, permitindo às autoridades aplicar sanções mais pesadas e promovendo um desincentivo adicional a potenciais infractores.
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Além disso, o diploma cria um novo crime específico para agressões a trabalhadores do comércio, uma medida que responde à crescente preocupação com a segurança de funcionários que lidam diariamente com situações de conflito.
Com o sector do retalho sob pressão e os consumidores a sentirem o impacto da inflação, os próximos meses poderão trazer ainda mais ajustes nas práticas de segurança dos supermercados.
Para muitos clientes, ver chocolate protegido como se fosse um produto de luxo tornou-se um símbolo curioso — e inquietante — dos desafios económicos actuais.

