O médico californiano Salvador Plasencia foi condenado a 30 meses de prisão federal, tornando-se a primeira pessoa a ser sentenciada no caso da morte por overdose do ator Matthew Perry, estrela da famosa série Friends. A condenação foi proferida após uma investigação federal de vários anos, que revelou como o ator adquiriu ketamina, um anestésico dissociativo, através de uma rede clandestina de tráfico de drogas em Hollywood.

Condenação e Impacto Familiar
Plasencia foi condenado por quatro acusações de distribuição de ketamina, sendo uma das cinco pessoas envolvidas no esquema. A sentença foi proferida pelo juiz distrital dos EUA, Sherilyn Peace Garnett, que também impôs uma multa de 5.600 dólares (cerca de 4.195 libras). O médico, que foi preso imediatamente após a decisão, havia se declarado culpado em julho de 2023. As acusações enfrentadas por Plasencia poderiam resultar em uma pena máxima de 40 anos de prisão, mas os procuradores recomendaram uma sentença de três anos.
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A família de Perry, profundamente afetada pela morte do ator, não poupou críticas a Plasencia durante o processo judicial. A mãe de Matthew, Suzanne Morrison, declarou-se emocionalmente abalada, destacando mensagens de texto do médico que se referiam ao filho como “moron” (“idiota”), além de especular sobre quanto Perry estaria disposto a pagar pela droga. “Não havia nada de idiota naquele homem”, afirmou a mãe de Perry, enfatizando que Plasencia, como médico, tinha a responsabilidade de proteger o filho, em vez de se aproveitar da sua vulnerabilidade.
A História de Matthew Perry e o Tráfico de Ketamina

Matthew Perry, de 54 anos, foi encontrado morto em sua casa em Los Angeles em outubro de 2023, após uma longa luta contra a depressão e o vício em substâncias. O ator, conhecido mundialmente por interpretar Chandler Bing na série Friends, havia sido público sobre suas dificuldades com a saúde mental e dependência ao longo dos anos. De acordo com documentos do tribunal, Perry estava tomando a ketamina de forma legal e prescrita para tratar sua depressão, mas começou a buscar doses além do que lhe era fornecido, o que o levou a procurar médicos e traficantes, incluindo Plasencia.
A investigação revelou que o médico Plasencia, conhecido como “Dr. P”, não só forneceu ketamina a Perry, como também instruiu o assistente do ator, Kenneth Iwamasa, a administrar a droga. Entre setembro e outubro de 2023, Plasencia vendeu várias doses de ketamina e outros produtos relacionados, como pastilhas e seringas, para Perry e seu assistente. Os procuradores alegaram que Plasencia e outros envolvidos no caso exploraram a dependência de Perry para obter lucros ilícitos.
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O envolvimento de Plasencia e a rede de tráfico de ketamina, incluindo uma mulher conhecida como a “Rainha da Ketamina”, que fornecia grandes quantidades da droga a partir de sua casa em Los Angeles, revelou um sistema de distribuição altamente organizado. O caso destaca como a indústria do tráfico de drogas e o abuso de substâncias continuam a afetar até mesmo figuras públicas, com consequências devastadoras.
Apesar do remorso expressado por Plasencia em tribunal, que pediu desculpas à família de Perry, o impacto da morte do ator permanece profundo. O pai de Matthew, John, e a madrasta, Debbie, manifestaram em carta ao tribunal que o comportamento do médico era incompreensível, considerando que ele tinha jurado salvar vidas, e não destruí-las. A perda de Matthew Perry, que estava tentando se recuperar e planejava um retorno à atuação, devastou seus familiares, que agora lidam com a dor de ver o “patriarca da família” desaparecer.

