O duplo homicídio ocorrido na última sexta-feira no Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet), no Maracanã, continua a gerar consternação e levantar dúvidas sobre a segurança na instituição.

João António Miranda Tello Ramos, funcionário da escola e detentor de certificado como CAC — categoria que inclui colecionadores, atiradores desportivos e caçadores — utilizou uma pistola Glock calibre 380 registada em seu nome para matar a diretora Allane de Souza Pedrotti Matos, de 41 anos, e a psicóloga escolar Layse Costa Pinheiro.
Segundo a Polícia Civil, o caso está a ser investigado como feminicídio, já que testemunhas relataram que o autor não aceitava ser subordinado por mulheres. A investigação encontra-se em fase final na Delegacia de Homicídios da Capital.
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Dinâmica do crime e consequências imediatas
João António chegou ao Cefet no início da manhã e comportou-se normalmente, de acordo com colegas.
Já durante a tarde, dirigiu-se ao gabinete da Direção de Ensino, onde efectuou os disparos que atingiram fatalmente as duas servidoras. Em seguida, tirou a própria vida.
Allane foi baleada na cabeça e no ombro; Layse sofreu ferimentos na cabeça e no tórax. Ambas foram socorridas e transportadas para o Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro do Rio, mas não resistiram aos ferimentos.
Os funerais realizaram-se no domingo, em cerimónias distintas nas zonas Oeste e Sul da cidade.
Relatos de funcionários indicam que o atirador transportava cerca de 50 projéteis adicionais na mochila, o que reforça a percepção de que a tragédia poderia ter sido ainda maior. Colegas também afirmaram que ele tinha histórico de comportamentos agressivos, sobretudo em relação a mulheres.
Família e comunidade escolar criticam falhas de segurança
A investigadora Alline de Souza Pedrotti, irmã de Allane, declarou acreditar que o crime poderia ter sido evitado caso a direcção do Cefet tivesse impedido a entrada de João António armado. Segundo afirmou, a irmã manifestava medo desde o ano passado e não era a única funcionária que se sentia ameaçada pelo colega.
Nas redes sociais, a cantora Elisa Maia, amiga de Allane, questionou as circunstâncias que permitiram o retorno do agressor ao trabalho, após um afastamento de 60 dias motivado por uma queixa de perseguição considerada infundada num processo administrativo.
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Nesta segunda-feira, a instituição permaneceu encerrada, estando no local apenas vigilantes e equipas responsáveis por obras no edifício. Em nota divulgada no dia do crime, a Direção-Geral do Cefet/RJ decretou cinco dias de luto oficial.
Força-tarefa federal para apoio a servidores e estudantes
Os Ministérios da Educação e da Gestão e Inovação informaram que estão a organizar uma força-tarefa, em parceria com unidades do Subsistema Integrado de Atenção à Saúde do Servidor Público Federal (SIASS) no Rio de Janeiro, para apoiar servidores e estudantes do Cefet.

O MEC indicou ainda que outras instituições federais de ensino do estado serão mobilizadas para integrar a iniciativa.
A comunidade académica segue abalada, enquanto aguarda esclarecimentos completos sobre o caso e medidas concretas para reforçar a segurança e o acompanhamento psicológico dentro da instituição.

