A proposta do governo britânico não contempla a exigência dos médicos residentes por um aumento salarial de 26% nos próximos anos. A Associação Médica Britânica (BMA) está a consultar os seus membros e anunciará a decisão na segunda-feira, a dois dias do início de uma greve programada para o período natalício.

Nova oferta do governo e as expectativas dos médicos residentes
Médicos residentes em Inglaterra estão a considerar uma nova proposta do governo britânico, a qual visa pôr fim ao conflito prolongado na saúde. A greve de cinco dias está marcada para começar às 7h de 17 de dezembro e terminar às 7h de 22 de dezembro, com impacto significativo nos serviços de saúde já pressionados pelo inverno.
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A nova proposta do governo inclui a criação de legislação para garantir que os graduados em medicina no Reino Unido tenham prioridade na atribuição de vagas de formação especializada. Além disso, prevê um aumento no número de vagas para formação especializada, de 1.000 para 4.000, nos próximos três anos, com mais vagas a serem criadas a partir de 2026.
Outros aspectos da oferta incluem o financiamento das taxas de exame e de associação obrigatórias do Royal College para os médicos residentes. No entanto, a proposta não responde à principal exigência dos médicos: um aumento salarial de 26% ao longo dos próximos anos, com o objetivo de compensar a erosão do poder de compra desde 2008. Este pedido surge após um aumento de 28,9% nos últimos três anos.
Impacto da greve e as consequências para o NHS
O Secretário de Saúde, Wes Streeting, apelou aos médicos para que aceitem a última proposta do governo, destacando os riscos associados a uma greve no período de Natal. Streeting alertou que uma paralisação durante este período aumentaria consideravelmente a pressão sobre o Sistema Nacional de Saúde (NHS), especialmente diante das preocupações com uma “onda” de doenças e uma cepa de gripe particularmente contagiosa, que já está a sobrecarregar os hospitais.
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Em resposta, o presidente da Comissão de Médicos Residentes da BMA, Dr. Jack Fletcher, afirmou que a oferta do governo é resultado das ações de milhares de médicos que estão dispostos a lutar pelo futuro da sua profissão.
“Não deveria ter sido necessária uma greve para chegar até aqui, mas foi a ação sindical que nos trouxe até este ponto”, afirmou.
Fletcher também sublinhou que, apesar das melhorias nas condições de formação, a proposta não resolve o problema da escassez de médicos nem aborda o tema central, que é a recuperação salarial.
“Esta oferta não aumenta o número de médicos a trabalhar em Inglaterra e não restaura os salários, algo que continua a ser responsabilidade do governo”, disse.
A decisão sobre a greve será tomada pelos membros da BMA após uma consulta online, cujo resultado será anunciado na segunda-feira, dois dias antes do início da paralisação.

