EUA querem vasculhar 5 anos do passado digital de turistas

A Administração Trump está a considerar impor uma medida que poderá alterar significativamente o processo de entrada de turistas nos Estados Unidos. A proposta, divulgada pelo Customs and Border Protection (CBP), prevê que visitantes, incluindo aqueles dispensados de visto, tenham de fornecer o seu histórico de actividade nas redes sociais dos últimos cinco anos para poderem entrar no país.

Donald Trump. EUA querem vasculhar 5 anos do passado digital de turistas
EUA querem vasculhar 5 anos do passado digital de turistas © Reuters/Jonathan Ernst

Estas mudanças surgem num momento em que os EUA se preparam para acolher centenas de milhares de viajantes devido ao Mundial de Futebol de 2026 e aos Jogos Olímpicos de 2028. Segundo o aviso publicado no registo federal americano, a entrega dessas informações será obrigatória e poderá abranger também endereços de e-mail, números de telefone usados no mesmo período e dados pessoais de familiares próximos.

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Alterações ao ESTA e recolha alargada de biometria

Actualmente, cidadãos britânicos e de vários outros países podem entrar nos EUA por períodos de até 90 dias através do ESTA (Electronic System for Travel Authorization), cujo custo é de 40 dólares e tem validade de dois anos. O formulário exige apenas dados básicos, como endereço, contacto telefónico e informações de emergência.

Passaporte britânico. EUA querem vasculhar 5 anos do passado digital de turistas
EUA querem vasculhar 5 anos do passado digital de turistas © Maksims Grigorjevs via Getty Images

A nova proposta vai muito além do que é actualmente solicitado. O CBP quer que o pedido de ESTA passe a incluir uma selfie e a recolha de dados biométricos adicionais, rosto, impressões digitais, ADN e íris, que, até agora, só eram registados parcialmente à chegada ao território americano.

Estas recomendações estão agora abertas a consulta pública durante 60 dias.

Endurecimento da política migratória sob a Administração Trump

As medidas propostas juntam-se a outras iniciativas de controlo e escrutínio de visitantes e candidatos a residência adoptadas desde o início da actual administração, incluindo a avaliação da actividade nas redes sociais e novas regras para determinar o “bom carácter moral” em processos de naturalização.

O Serviço de Cidadania e Imigração dos EUA (USCIS) indicou que funcionários passarão a considerar se requerentes expressaram ou apoiaram posições consideradas anti-americanas, terroristas ou antissemitas. Um porta-voz da agência reforçou que viver e trabalhar nos Estados Unidos “é um privilégio, não um direito”.

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Embora a definição de “anti-americanismo” não tenha sido clarificada, já foram reportados vários casos de viajantes impedidos de entrar no país devido a conteúdos encontrados nos seus dispositivos ou publicações online, incluindo o de um cientista francês barrado em Março após mensagens consideradas hostis à administração Trump.

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